
A notícia, publicada na seção de economia do site "estadao.com.br", de 14 de abril de 2009, trazia um tom apocalíptico: "Mercado publicitário mundial cairá 6,9% em 2009". A reportagem foi desenvolvida com base no relatório da agência francesa ZenithOptimedia, que previu que o mercado mundial de publicidade ficará em US$ 453 bilhões no ano corrente, em consequência de "problemas econômicos sem precedentes".
De acordo com a agência francesa, a imprensa escrita será a que mais sofrerá com a queda da publicidade. Já a TV, segundo a ZenithOptimedia, continuará sendo a mídia preferida pelos anunciantes, cuja fatia de mercado passará de 38,1% para 38,6%. Enquanto a internet, prevê o documento, será o único meio de comunicação que terá um aumento de sua receita publicitária. O motivo, esclarece a reportagem do Estado se São Paulo, se deve à migração dos leitores da imprensa escrita para as notícias digitais.
Segundo a ZenithOptimedia, apesar do crescimento esperado, a internet registrará em 2009 uma desaceleração do crescimento de sua receita publicitária, aumentando parcos 8,6%, se comparado com os 20,9% registrados em 2008.
Os analistas da agência francesa acreditam que, de uma forma geral, o mercado publicitário mundial só irá dar sinais de recuperação a partir de 2010, quando as despesas com propaganda poderão crescer 1,5%, saltando, em 2011, para 4,5% em 2011. Esses prognósticos, alerta o pessoal da ZenithOptimedia, "deverão ser revistos à luz de novas informações".
DE OLHO NO FUTURO
Apesar do cenário econômico distante do desejado, o futuro da internet no mercado publicitário é promissor. Isto porque a publicidade está acompanhando o aparecimento e a evolução dos novos meios de comunicação. Essa é a visão de Marcos Dantas, professor da Escola de Comunicação da UFRJ, doutor em Engenharia de Produção pela COPPE-UFRJ, ex integrante do Conselho Consultivo da Anatel e ex-secretário de Educação a Distância do MEC. Em um recente artigo intitulado "Eu também quero olhar para o futuro", o acadêmico afirma que a publicidade típica da TV aberta dará lugar a novos formatos interativos, ao marketing viral, ou mesmo a um novo modelo inspirado na "lógica de leilão", como o introduzido pelo Google.
- Segundo o Idate, notório centro de pesquisas sobre comunicações, a publicidade na rede está crescendo 25% ao ano e já captura, no mundo, 9% da verba publicitária total. Nos terminais móveis, cresceu, em cinco anos, de USD 1,5 bilhão para USD 4,7 bilhão, já representando 1% do mercado publicitário total.
QUEM SOBREVIVERÁ?
Considerando o o futuro dos "novos formatos interativos" anunciados pelo destacado professor, cabe uma pergunta: quem sobreviverá, e como, ao começo de uma nova era no mercado publicitário na internet? "Esse novo modelo necessita considerar as características econômicas básicas do modelo emergente, ao mesmo tempo considerando as necessidades, as condições, as expectativas, os rumos da sociedade brasileira, agora e nos próximos anos", responde Marcos Dantas.